quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Caco de vidro

Elas se aproximaram naturalmente, amigas se fizeram, e com muito amor, uma amizade sincera e feliz nasceu. Muitas confidências, muito carinho, sorrisos de cumplicidade, de felicidade, lágrimas de tristeza, momentos divididos, amor multiplicado.
Tudo sempre correu bem, entende-se, desentende-se. Fala, fala. Amigas do dia a dia, da noite, da praia, na cerveja, na música, nos gostos, no coração.
As festinhas são alegres, os shows tornam-se experiências mágicas.
A cumplicidade só se multiplica.
Amigos são sempre um bálsamo no coração humano. Ter, além da família, quem te suporte os momentos difíceis e te impulsione nos momentos de duçura da vida é sempre estimulante e enriquecedor. Faz sentir gratidão por receber tanto e oferecer tão pouco.
É lindo como o amor entre almas afins nasce e cresce e toma o amado e amável.
As interferências e desentendimentos são parte. Não há interação sem conflitos. Somam sempre, são aprendizados e são até fortalecedores dos laços de carinho e confiança.
Curioso e incompreensível é quando algo se quebra e a interação passa a ser difusa, o outro torna-se algo inalcansável.
A comunicação, antes tão fluída, apenas não se estabelece.
As almas, antes afins, parecem desconhecidas.
O sorriso de cumplicidade se esvai e fica o sorriso de conveniência, aquele que só pretende uma convivência pacífica.
Não é possível saber porque começou nem se vai continuar. De onde vem a rachadura?
Aquele laço agora é um nó cego.
As tentativas do reencontro se fazem frustradas e só reforçam a distância que não é de corpos, mas sim de corações.
Sinto, agora, um imenso vazio. Como se um pedaço de mim fosse desfeito, como se a vida levasse um parte do meu coração me deixando um buraco no peito.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

acelerado

o pensamento não para, busco distrações, meios, escapes, e, ainda assim, ele insiste em voltar naquele passado já tão distante, naquela ferida ainda aberta
as sensações são revividas com memórias difusas, um misto de saudade com amargor
nada mudou. mas tudo mudou
não sei se continuo a mesma ou se sou outra
tenho dúvidas, dívidas, temores
tenho desejos, ansiedades, insatisfações
quero que o tempo passe, mas também quero viver o tempo passando
quero que o amor domine tudo que for dor


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Gelo

Meu coração não sabe mais o que é amar.
Ama tanto, intensamente, qualquer coisa que não se pode se tocar
O que vem perto,
O que tá certo,
Pouco importa

Uma pedra de gelo se pôs em seu lugar
O que deseja tanto, tanto não sabe valorizar
Tem nas mãos tantas possibilidades
E delas se esquiva pra lá e pra cá

Como reaprender a sentir de verdade?
Como derreter esse gelo arrepiante?
O caminho a seguir é um mistério
E o vazio que se perpetua um martírio

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

frequência cardíaca





não sei dizer nem pensar direito sobre as complexas relação humanas. as minhas, acredito que como a de todo mundo, não são nada fáceis. sentimentos confusos, bandidos, que me afastam e me aproximam das pessoas, que me machucam, que me alegram, esses estímulos que vem de dentro, nem sempre controláveis, e que possuem a força pra construir e destruir... tudo.
sei que a vida não é linear, não há um sequência prevista de fatos, pelo contrário, cheia de altos e baixos, tá sempre surpreendendo a todos. comigo não poderia ser diferente, dias de bem, dias de mal, de mim para comigo, de mim para com o próximo, do próximo para comigo, tudo junto ao mesmo tempo fazendo da vida esse movimento marítimo que às vezes enjoa, às vezes agrada, às vezes assusta, às vezes encoraja.
mas e nos dias difíceis, e nos dias em que tudo conspirou para a autosabotagem, e falta tudo, menos o peso. o sono não relaxa, o sol não brilha como deveria, a chuva não lava a alma, o sorriso não conforta, o abraço oprime. o peito pesa.
fica só o desejo linearidade, não seria melhor uma vida sem emoções?





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

a dor

A dor, mais que qualquer outro sentimento, tem o poder de nos fazer refletir a respeito de tudo, do tempo em que vivemos, da atitude que tomamos com relação aos nossos e a nós mesmos, do que queremos e se estamos trabalhando para conseguir. Na dor, por mais que culpemos a um outro, sabendo que nossa é a responsabilidade pelo que pensamos e sentimos, somos capazes de pensar com mais clareza nos erros que cometemos, nas atitudes que podemos (e que na maioria das vezes devemos) mudar, porque é melhor pra gente, porque vai fazer com que um sentimento de satisfação nos domine, um sentimento de dever cumprido, aquele, que quando você percebe que não tá fazendo nada direito, que é um sr humano estático, que não contribui pra melhorar a vida de ninguém, nem a sua própria, some, e você não sabe mais como se sentir útil. Essa dor, assim como muitas outras dores morais, é válida, é capaz de transformar-te num ser humano melhor, desde que permaneça na memória, que seja aproveitada e reciclada, principalmente. Duro é encará-la. Aceitar suas próprias falhas, a responsabilidades de suas “mazelas”, de seus momentos ruins e lutar para melhorar a si próprio e buscar melhorar.