Acontece com todas elas. Primeiro elas começam a olhar os meninos e alguma coisa muda. Não são mais inimigos. Elas até gostam de ficar perto deles. Aí o corpo vai ficando estranho. Algumas partes mudam, o rosto se transforma, e os amigos dos nossos pais começam a chamar a gente de “mocinha”. Palavrinha desagradável quando você 11 anos de idade. Difícil saber o que ou quem você é. Suas bonecas ainda estão lá (no caso de meninas meio menino, ainda estão lá as bolinhas de gude), e você não sabe se brinca com elas ou se vai conversar assuntos de “mocinha” com as suas amigas.
A mãe já não te deixa mais sair pra brincar só de shorts. E ainda te manda usar sutiã, aquela coisa que aperta, incomoda. Os meninos, na escola, reparam o que você usa debaixo do uniforme, que chato, e ainda ficam zoando.
O pai começa a ficar meio ressabiado com seus amigos meninos. Fica perguntando se você já tem namorado. Fica reparando em você nas festinhas de aniversário. Implicando porque você está usando batom. Qual o problema, pai?
E quando você resolve sair sozinha. O MUNDO VAI ACABAR. Eles acham que você é muito jovem pra isso. Mas vivem dizendo que já está bem grandinha pra um monte de coisas, como ter responsabilidade com as suas coisas. Gente louca!
Mas o mais complicado é o que se passa dentro. Dentro da cabeça dela há um mundo de sonhos, de fantasias, de desejos, de medos, de controvérsias, de interrogações, de objetivos, de sentimentos, de músicas, de pessoas, de lugares, de tanto que nem se pode imaginar.
Duas músicas que traduzem isso de maneira bela e simples...
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